junho 23rd, 2010 | 6 Comentários »

VAnessa Duguet Arruda

 

Uma reviravolta na vida das pessoas. É o que se pode falar da internet que veio possibilitar um contato rápido, amplo e completo para aqueles que dela se utilizam. 

O fato de encurtar distâncias e promover aproximações em tempo real causou uma mudança radical na forma das pessoas se relacionarem. É possível tocar, sentir, ver, ouvir e interagir com indivíduos que estão do outro lado do planeta. Assim nasceram os sites de relacionamentos onde milhares se conectam e buscam alcançar suas expectativas. Estas redes articuladas e bem estruturadas cadastram seus usuários que traçam seu perfil e colocam as fotos na vitrine virtual. Se bem observados, todos se intitulam carinhosos, amorosos, do bem, a procura do par ideal, perfeito, honesto e fiel.

De acordo com a Google são 1.200.000 sites de relacionamento no Brasil. Um número que surpreende. Entretanto, o que mais espanta é que ainda não há órgãos fiscalizadores destes sites. Apenas a sociedade civil, como as ONG, que através de acordos de cooperação com o Ministério Público Federal, busca pesquisar, monitorar e denunciar as relações cibernéticas, principalmente quando envolve pedofilia.

O que leva as pessoas a buscarem relações por este meio de comunicação é explicado pela facilidade de conhecimento e pela comodidade, afinal não se sai do conforto e segurança de sua casa, o que não é possível no mundo real. Outro fator decisivo é o custo. É possível oferecer rosas virtuais, buquês ou a flora inteirinha sem gastar um centavo. Não é preciso gastar com restaurantes ou com a própria produção. A conquista se faz, agrada e  acontece.

Para Cláudia Barroso, 47, usuária mineira de um dos sites disponíveis, o que a motivou a participar do Metadeideal foi perceber que o mundo moderno dos “encontros” é infinito e a internet é uma grande porta de entrada. Um ponto de partida para se fazer amizades e novos relacionamentos. 

Não é a mesma visão de Ana Maria, 23, secretária, de Fortaleza: – na verdade, o que se percebe, é que a maioria dos homens busca neste canal de comunicação, uma nova forma de prostituição. Recebi muitas mensagens que inicialmente diziam ser para relacionamentos sérios e duradouros. No decorrer da conversa o rumo foi outro. Os usuários logo, logo manifestaram interesse único e exclusivamente em sexo. Isto quando não enviam fotos obscenas.

Desilusões, desencantos ou decepções acontecem porque nestes sites a gente, quando começa, não tem noção de como funciona e de como se deve comportar. Aconteceu no meu primeiro encontro. O individuo chegou antes do horário marcado, não quis esperar e ainda brigou comigo. Pode? Laís A., 37, de Belo Horizonte, ainda conclui que é uma ótima diversão. Basta não se envolver emocionalmente. 

Juarez Lopes, 53, professor universitário em Santa Catarina, recorreu ao site para ampliar a fronteira da amizade e disse que todas as suas expectativas foram alcançadas. Respondeu negativamente se havia sofrido alguma desilusão neste canal e ainda acrescentou que a desilusão maior é a incapacidade de fazer alguém feliz ao seu lado.  

De Santo André, cidade de São Paulo, homem de 53, que não quis se identificar, espera encontrar algo mais para completar o que falta dentro do próprio “eu”. Com relação às desilusões reclama das mulheres que dão muita esperança e inspiração e abandonam a site sem cumprir a promessa.

Homem de 51 anos, morador do Gutierrez, outro participante diz que está à procura de alguém que esteja disposta a um relacionamento gostoso e aberto. Gostoso no sentido de ser uma parceira bonita e cheirosa. Aberto por esperar que não haja cobranças maiores ou compromissos formais.

Em comum todos os depoimentos tem a busca pela felicidade seja amizade, amor ou relação descompromissada. O que seria impossível na vida real é possível no virtual. Em um mês é possível que um perfil seja visitado 111 vezes.

Deste numero apenas cinco buscam contato e desde cinco, muitas vezes, não rola nenhum encontro. A estatística vem de uma usuária do Match que há seis meses navega pela internet e não acha adequado se identificar.

(Matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, 2009)

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