janeiro 28th, 2011 | Sem Comentários »

        VAnessa Arruda 

Aids foi o tema abordado no Fantástico, no domingo passado, com a finalidade de conscientizar a população brasileira sobre a importância de se prevenir contra esta doença. Ela ataca as células do sistema de defesa do organismo humano, permitindo que um simples resfriado ou doenças graves como a tuberculose e câncer se instalem mais facilmente.

Antigamente a palavra aids era sinônimo de morte. Hoje, graças aos coquetéis, pessoas acometidas pela doença podem ter mais tempo de vida.

Pesquisas demonstram que no Brasil a população sabe da gravidade desta patologia, sabe se prevenir, conhece a camisinha, mas resiste ao uso da mesma. A faixa etária mais atingida é a de 25 a 49 anos, em maior número no sexo masculino, em relações homossexuais, para quem faz uso de drogas injetáveis e compartilha seringas e principalmente, para aqueles que têm o maior número de parceiros. Ou seja, quanto mais parceiros, maior a possibilidade de contrair a doença. Foram registrados mais de 592 mil casos desde 1980, segundo o Ministério da Saúde.

A palavra chave, então, passou a ser conscientização. É importante conscientizar o brasileiro sobre os benefícios da prevenção, que só acontece com a camisinha. Não se pega aids ao abraçar alguém ou apertar as mãos ou ao doar sangue ou pelo ar ou em piscinas. Se pega sendo displicente e descuidado.

Há um grupo que merece especial atenção que é a terceira idade. Melhor idade é o máximo. Significa a independência financeira, tempo disponível e vida sexual ativa e feliz. Mas para ser feliz e alcançar a tão almejada qualidade de vida é preciso repensar condutas, rever atitudes e ler jornais. O número de vovôs e vovós aidéticos tem aumentado muito nestes últimos anos. Os vovôs entusiasmados com a nova potência (ao fazerem uso de viagras e similares), buscam prazer com mulheres mais novas e não se preocupam em usar camisinhas. Querem provar que o fogo não se extinguiu. Em casa na relação sexual com a esposa faz com o que o vírus se alastre…

De acordo com o Ministério da Saúde casos entre pessoas acima dos 60 anos dobraram de 1997 a 2007. Em 2009 de 497 casos para 1263 idosos infectados!

Um senhor, nascido nos anos 30, dizia que a geração dele era a mais privilegiada de todas, pois viveu numa época pós-pílula anticoncepcional até uma época pré-aids. Não tinha com que se preocupar. Nem como prevenir para não ter filhos e nem com doenças sexualmente transmissíveis.  Sorte desta geração.

Foi num bate papo de mesa de bar, que ao se abordar a preocupante estatística, uma opinião foi colocada sem muitos constrangimentos: – “eu, uma mulher na casa dos 40 anos  atualmente estou preferindo os jovens para me relacionar sexualmente. Com eles não há problema nenhum em pedir que usem camisinhas. Já os homens de 60 pra cima… quanta resistência”! Evidentemente que quem deu o depoimento não quis se identificar. E nem precisa. A realidade é esta mesmo.

Hoje, há toda uma campanha veiculada pela mídia e avalizada pela sociedade em geral de valorização da vida. Ela não se acaba após os 60 anos. Estimula-se a convivência em grupos da terceira idade, busca-se a ressocializaçao desta parcela da população, antes desprezada e esquecida e equivocadamente vista como faixa que havia se aposentado sexualmente.

Contudo, é preciso que todos se conscientizem, sejam os governos ou igreja ou família e principalmente a própria terceira idade de que todo cuidado é pouco. A doença existe e não faz distinção nem de gênero, nem de idade, nem de classe. É permitido ser feliz? É! É bom praticar sexo após 60 anos? É claro que é! Mas é bom também ir se acostumando ao uso da camisinha para não engrossar o time dos aidéticos desta faixa etária.

(Matéria publicada no jornal Vespa News em Janeiro/2011)

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