maio 28th, 2014 | 12 Comentários »

Desabafo materno
carta recebida de uma mãe

Querida Vanessa
Preciso desabafar com alguém e ficar no anonimato. Talvez até seja um pedido de socorro e quem sabe alguém possa me ajudar.
Fiquei viúva cedo com 04 filhos. Sempre trabalhei fora e consegui criar meus filhos dentro de valores morais recebidos dos meus pais e avós. Honestidade, trabalho, honradez e verdade. Nunca perdoei uma mentira e dentro desta criação os meus três primeiros filhos se formaram, se casaram e me deram netos. O quarto filho, ainda na faculdade, caminhava nesta linha até que um dia mandou alguém me revelar que era homossexual.
Meu mundo veio ao chão. Perdi o rumo, noites em claro e a nítida sensação de fracasso. Onde falhei? Foi falta da presença masculina? Porquê esta escolha?
Tentando me consolar alguns poucos familiares me diziam que melhor um filho gay do que um filho drogado. Olha, para ser sincera, não sei se isto é melhor. Até pensei que preferia vê-lo morto a saber desta condição. Perdi perdão a Deus mil vezes. Mas falo o que vem do meu coração, por isto a razão do anonimato. Temor a Deus e uma vergonha sem tamanho da minha família, dos vizinhos dos amigos.
Mas tem uma coisa pior para não me expor: a sociedade não aceita opinião contrária ao homossexualismo ou qualquer outra situação que dizem ser preconceito. Mas assumo é preconceito, sim!!! Já imaginaram alguém comer pelo ouvido? É normal? É assim que vejo a opção sexual do meu filho tão querido. Algo anormal sobre o qual nada posso falar, pois alguns grupos querem impor o meu silêncio. Inclusive o próprio filho que não aceita diálogo algum.
Mas chega de silêncio. Chega de me calar. Isto não é coisa certa, coisa de Deus. Ainda mais quando fui falar com ele e o argumento dado foi que se não fosse assim não seria aceito pelo grupo em que estava. De que grupo ele fala? Da faculdade? Dos Amigos? Tanto que pedi aos Céus que só colocasse boas pessoas no caminho dos meu filhos…
Pra falar dos amigos, quando descobri esta fatalidade, comecei a percebê-los com outros olhos. Dois são gays assumidos e com a conivência dos pais, uma se diz bissexual e a outra declaradamente lésbica. Todos novinhos com idade em torno dos 18 anos. Não é muito cedo para definir opção sexual? Qual experiência de vida estes meninos têm? Onde arranjam força e coragem para enfrentar pais e a sociedade?
Eles vão às boates gays, se vestem e falam de maneira diferente como se quisessem afrontar a todos. E afrontam. Então, quando meu filho usa secador de cabelo acho o ápice da afronta.
Mas o pior de tudo isto é ver filmes e novelas. Veja a TV Globo. Como se não bastasse mostrar a relação homem/homem, agora querem me fazer descer “goela” abaixo a relação mulher/mulher. Ora, pois, pois, diriam meus avós. A mídia quer impor algo que nós, famílias inteiras, somos contra. Ela mostra na novela “Em família” diversas cenas de desmoronamentos do núcleo familiar. O pior deles é uma esposa que começa a se interessar por outra mulher.
TV, rádios, jornais são formadores de opinião e não dá pra achar isto tudo normal, não. O que faço? Mudo de canal, como protesto. Já até enviei e-mail manifestando minha opinião… Uma a menos para ver tanta mediocridade.
Bem sei que `uma andorinha não faz verão` mas a minha realidade já é bastante cruel e dolorida. Talvez esta atitude de protesto seja uma forma de me vingar. Sei lá.
Meu Deus, onde nós estamos? Perdi meu filho para um mundo insano? Mas tenha uma certeza de uma coisa, senhora escritora, não perdi a esperança e nem a fé. A fé, esta com certeza, vem me mantendo de pé, tentando manter a minha dignidade.
Obrigada por me ouvir e se puder colocar esta carta em sua coluna ficarei muito grata. Assinado: MVRR

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