dezembro 30th, 2015 | Sem Comentários »

Responsabilidade Social Empresarial
e a tragédia de Mariana

Simplesmente imperdoável o estrago que o rompimento das barragens na cidade de Marina vem causando. Nestas barragens havia lama, rejeitos sólidos e água que são considerados detritos resultantes da mineração na região.
O tamanho do estrago é incalculável assim como o tamanho da irresponsabilidade dos envolvidos. Após 41 dias, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, ainda há dois desaparecidos, mais de 128 casas atingidas pela lama, mais de 06 distritos mineiros sofrendo com esta tragédia, além dos municípios do Espírito Santo. Prejuízo calculado em mais de 100 milhões.
Para alguns especialistas pode levar séculos para o ambiente se recuperar, pois a lama que se espalhou por Minas Gerais e Espírito Santo impede que a matéria orgânica cresça. O impacto socioeconômico e ambiental é inimaginável, sem falar nas perdas e nos sofrimentos dos moradores locais. Turismo afetado, qualidade da água alterada, morte dos animais terrestres e aquáticos. O ocorrido mostra claramente que muitas empresas estão na contramão do apelo socioambiental. Assim como, a inércia e a displicência dos órgãos públicos na fiscalização destas empresas.
A própria sociedade vem cobrando das empresas muito mais que produzir bens e serviços, mas também o bem estar social. Isto significa que há uma valorização do homem e do meio-ambiente onde estas mesmas empresas estão atuando.
No inicio do séc. XX as ações empresariais eram filantrópicas e eram vistas como forma de se livrarem da “culpa” por obterem lucros fáceis à custa da exploração do trabalho das pessoas e dos recursos naturais abundantes. Este papel vem mudando à medida que se comprometem com as causas sociais. As organizações, neste sentido, assumem uma obrigação moral, que vão além das estabelecidas em Lei e, mesmo que não estejam diretamente ligadas as suas atividades, podem contribuir efetivamente para o desenvolvimento social. Desta forma, esta postura vem fortalecer marcas, produtos e serviços em relação à concorrência e passa a ser uma excelente estratégia de marketing para as empresas.
Muitos empresários deveriam perceber que as causas e projetos socioambientais trazem retorno expressivo em se tratando de mercado, como melhoria efetiva da imagem, exposição espontânea na mídia, o que certamente vai tornar a empresa mais conhecida e respeitada na comunidade. Contudo, é preciso muito cuidado, ao patrocinar uma ação social visando tão somente a divulgação da marca, em questão de tempo consumidores atentos criam uma imagem negativa e usam de sua prerrogativa de migrar para o concorrente.
A Samarco, empresa causadora da catástrofe, ilustra bem este conceito de imagem danificada. Ainda que por questões morais esteja ajudando as famílias e ainda que, tenha depositado somas vultuosas para reparo do meio ambiente.
Afinal, Responsabilidade Social Empresarial é definida como o compromisso que uma empresa deve assumir com a sociedade em que atua. Este deve ser expresso por meio de atos e atitudes que possam afetar de forma positiva a comunidade e deve estar coerente com a missão e os valores organizacionais. Segundo o professor Luiz Cláudio Zanone este conceito está atrelado às necessidades que as empresas encontraram como diferencial competitivo para seus produtos. Ele ainda conclui que está cada vez mais difícil a empresa se diferenciar no mercado pelo seu produto ou preço. O segredo está em na qualidade das relações, fundamentada sobre valores e condutas claros e identificados em seus padrões de público.
Para nós que de longe estamos assistindo ao deplorável acontecimento resta nos aprender a lição.

Matéria publicada no Jornal Vespasiano em Notícias, dez/2015

Últimos Posts