janeiro 7th, 2018

A Crueldade das maledicências

Por acaso chegou em minhas mãos um livro do Historiador Leandro Karnal que retrata muito bem sobre as maledicências. Interessantissimo! Li o livro em dois dias e assim, partilho a crítica do colega Jornalista Guilherme Freitas, publicada no Jornal O Globo em 2016:
“Conta-se que certa vez o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw enviou a um de seus desafetos preferidos, o estadista inglês Winston Churchill, um convite para a estreia de sua nova peça: “Venha e traga um amigo, se tiver”. Churchill respondeu com um bilhete: “Infelizmente, não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver”.
“Essa refinada troca de farpas é um dos muitos casos evocados pelo historiador gaúcho Leandro Karnal em seu novo livro, “A detração: breve ensaio sobre o maldizer”. Em poucas páginas, ele explora a fascinação humana por falar mal dos outros, dos insultos literários (como os que Churchill e Churchill e Shaw adoravam) à fofoca mais cruel, das campanhas políticas aos linchamentos virtuais. Karnal enumera histórias, desde a Bíblia até as redes sociais, para mostrar que a detração existe em várias formas. “Ela é política, é pessoal, é psicanalítica e é cultural”, diz.
Com a internet e o anonimato possível, a fofoca ficou mais segura e mais forte. Ela ocupa a maior parte do fluxo da internet e sem ela quase não haveria troca de mensagens nos celulares — brinca o professor de História na Unicamp. — Mas a detração é universal e está acima da luta de classes. Ela é apartidária e não faz distinção de credos. A detração é o ar que a Humanidade respira nas sacristias e nos prostíbulos, no metrô, no ônibus, nas salas confortáveis de espera e nas reuniões ministeriais”.
BRASIL, TERRA DA FOFOCA
“Karnal encontra a origem da maledicência na necessidade humana de demarcar rivais e estabelecer alianças. Ela também funciona como “válvula de escape”, comenta. Na sociedade brasileira, onde as dimensões pública e privada frequentemente se misturam, a detração encontra terreno fértil, diz o historiador.
O brasileiro é descrito como passional pelos viajantes estrangeiros, densamente compilados por Sérgio Buarque de Holanda. Um inglês não entende o motivo de ter de fazer amigos para fazer negócios no Brasil. Mas essa passionalidade implica também dizer que temos um interesse pessoal na vida alheia, porque nossa maneira de dialogar com a sociedade passa pelo pessoal. Nesse sentido, sim, somos muito fofoqueiros”.
Para a Jornalista Márcia Saito “o falar mal dos outros é algo quase tão inerente e natural desde por conhecemos como seres sociáveis. Basta conviver com pessoas que não demora a ocorrer um comentário que seja sobre qualquer coisa que achemos em comum com outrem. O fato de existir se tornou tão natural que quase ninguém escapa desse mal. O autor enfoca de tal maneira quase didática eloquente e com as pinceladas de humor inteligente, marcas de seu trabalho como estudioso, docente e filósofo que vem conquistando as massas que anseia por algo com mais conteúdo que o usual imbecil circulante nas redes sociais.
Ao menos o conto com algo que se pense e reflita faz com que algo em mente das pessoas capte além da rotineira alienação que a maioria se sujeita. Tão positivo quanto necessário exemplos de maior reflexão de conteúdo nos tempos áridos de socialização digital”.

VAnessa Arruda
Mestra em Administração, Pós Graduada em Marketing Político, Graduada em Jornalismo, Professora Universitária, Escritora, Poeta.

Novembro/2017

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