maio 18th, 2010

 Vanessa Duguet Arruda

 

Acidentes de trânsito são uma das principais causas de mortalidade na sociedade brasileira pós-contemporânea. O que mais assusta, no entanto, é a faixa etária das vitimas. Adolescentes e jovens adultos, entre 15 e 24 anos, compõem o expressivo contingente de vítimas deste tipo de acidentes, correspondendo a 13 milhões de mortos e 17 milhões que sofreram ferimentos no ano de 2006.

 

         Quando se fala em acidentes de trânsito há de se considerar um amplo universo no qual estão inseridos motoristas, ciclistas, motociclistas, passageiros e pedestres. Atropelamentos e colisões envolvendo este universo, em menor ou maior porcentagem, trazem sérios impactos sociais e econômicos ao país. Estatisticamente a maior parte das vítimas sobrevivem aos acidentes, o que equivale a mais de três milhões de pessoas, demandando atenção dos serviços públicos de saúde (assistência médico-hospitalar).

         Ações individuais associadas às políticas públicas podem (e muito) interferir nas estatísticas divulgadas por órgãos nacionais de trânsito e pelos hospitais especializados em traumatismos medulares ou cranianos advindos de acidentes de trânsito. Foi constatado que jovens de todo o mundo são considerados um grupo mais vulnerável e de maior exposição ao risco de mortes e em acidentes em questão.

Quais as causas?

         Especialistas enfatizam as condições emocionais específicas da adolescência, como a necessidade de auto-afirmação, competitividade, onipotência, busca de intensas sensações (caso de pegas e rachas) e consumo de bebidas alcoólicas. Acreditam também que a falta de autoridade e de limites dos pais associada à idéia de auto poderes (para aqueles que possuem a carteira de habilitação) os colocam a salvo de qualquer “perigo”.

         Outro fator preponderante é a responsabilidade dos governos no tocante às ações fundamentais, como iluminação adequada em vias públicas e rodovias; implementação e manutenção de  sinalizações que são  consideradas

como facilidades para os pedestres (faixas, passarelas, semáforos, passagens subterrâneas etc), revisão dos projetos de rodovias cujas construções incentivam a velocidade ou falhas estruturais de engenharia existentes.

         O perfil dos jovens envolvidos em acidentes assusta. 71% são homens sendo 54%  solteiros, 49% com escolaridade até o ensino fundamental e 91% residentes em área urbana. E ainda para cada 07 homens há 03 mulheres envolvidas confirmando a proporção dominante da imprudência masculina. Em trabalhos e pesquisas de autoridades no assunto nota-se que os homens tendem a aceitar menores brechas entre veículos do que as mulheres. As mulheres têm mais cautelas em relação às condições gerais de trânsito, enquanto os pedestres do sexo masculino fazem julgamentos bem menos rigorosos quanto á velocidade dos carros.

         Hospital referência na área de ortopedia e traumatismo (Sarah kubistcheck) divulga em sua página na internet que a principal causa da lesão medular traumática com tetraplegia (paralisia dos quatro membros) é o acidente de trânsito que corresponde a 44% dos casos de internação em suas unidades. Os atropelamentos foram responsáveis por 13% e que o o não uso do cinto de segurança aumentou e muito a gravidade das lesões dos envolvidos.

Considerando tais aspectos o Conselho Nacional de Trânsito escolheu  como tema para a campanha educativa e comemorativa da Semana Nacional de Trânsito, neste ano de 2007, “O jovem e o trânsito”. Respeito, responsabilidade e educação são as palavras chave da campanha como forma de conscientização que com certeza, passa pela educação. Campanhas educativas foram elaboradas visando a mobilização do jovem para que seja protagonista de ações preventivas de segurança e de cidadania no trânsito.

Escolas, organizações não governamentais e qualquer outro setor podem contatar o departamento de trânsito de sua cidade para solicitar palestras ou agendar uma visita à mini-cidade do Batalhão de Trânsito em Belo Horizonte.

 (matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, em 2007)

Você pode acompanhar as respostas para este post assinando nosso RSS 2.0 feed. Você pode deixar um comentário, ou trackback do seu site.

Deixe um comentário