janeiro 1st, 2018

Cada um dá o que tem
Falam por aí que a história do “cada um dá o que tem” veio da Chica da Silva, uma ex escrava nascida na atual Diamantina entre 1731 e 1732. Foi alforriada pelo Português João Fernandes com quem teve 13 filhos e foi considerada uma mulher à frente do seu tempo.
Bela e refinada vivia cercada de luxo e riqueza. Há quem diga que era uma mulata feia e que usava muitas perucas. Controvérsias à parte. Sabe se também que cultivava um jardim de rosas que diziam ser o mais bonito de Minas. Todos sabiam que desejava ardentemente ser aceita pela sociedade local e enquanto isto não acontecia tratava de cuidar de suas flores.
Certo dia se surpreendeu com um convite para o mais badalado sarau do arraial. Foi um escravo muito elegante e lustrado, trajando inclusive um par de luvas brancas, que a chamou para entregar a encomenda.
Convite formal, bandeja de prata, escravo elegante. Tudo digno de uma dama. Ao tocar a bandeja qual não foi a sua surpresa? O bonito convite estava cheio de “cocô” num claro recado de rejeição das mulheres diamantinenses.
Responder à altura seria a melhor atitude e assim pensando chamou sua escrava e ordenou que lavasse a bandeja e em seguida, a mergulhasse no melhor perfume. Enquanto isto voltou para seu jardim e serenamente (ainda que externamente) foi colhendo as mais lindas flores que encontrou pela frente. De todas as cores, de todos os aromas. Foi acomodando uma a uma na bandeja limpa e perfumada.
Pediu que escrevessem um bilhete, ajeitou-o junto às rosas e o mais bonito dos seus escravos se encarregou de devolvê-la às remetentes. Não esperou pela resposta e sequer se interessou por ver a reação das damas. Preferiu passar uns dias em uma de suas fazendas.
E o que estava escrito no bilhete?
“Cada um dá o que tem”.

Vanessa Arruda
Mestra em Administração, Pós Graduada em Marketing Político, Graduada em Jornalismo, Professora Universitária, Poeta e Escritora.
Outubro/2017

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