abril 15th, 2011

Casagrande e a cocaína

Comoção e tristeza. Estes foram os sentimentos que Walter Casagrande, atual comentarista esportivo da TV Globo e ex-jogador de futebol, causou em todo o Brasil, ao falar sobre seu envolvimento com a cocaína, no Domingão do Faustão, em pleno horário nobre.

O apresentador do programa enfatizou por diversas vezes que este é problema da sociedade brasileira. Problema que aflige diversas famílias e por isto mesmo, sua admiração pelo amigo Casagrande, ali, naquele momento aumentou ainda mais, devido a sua coragem ao se expor e de falar do tormento pelo qual passou e ainda continua passando.

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“Eu, como jogador, tive que matar um leão por dia, mas agora é muito mais difícil, pois o inimigo é muito mais poderoso. É batalhar pela vida, não para vencer um adversário em campo”, afirmou, citando a importância da família para sua recuperação. “O dependente precisa de ajuda mesmo. Uma das coisas que você tem que admitir no espelho é: ‘eu sou um fracassado perante as drogas’. Eu tenho três psicólogas e um psiquiatra com quem faço terapia uma vez por semana. E não tenho nenhuma vergonha em pedir ajuda a elas quando preciso”.

Segundo o Ministério da Saúde a cocaína é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta exclusivamente da América do Sul conhecida como coca ou epadú, este último nome dado pelos índios brasileiros. A cocaína pode chegar ao consumidor sob a forma de um sal conhecido como “pó”, “farinha”, “neve”, “branquinha”, sendo aquecida e fumada em cachimbo. Causa dependência rapidamente. Em poucos segundos ela atinge o sistema nervoso e produz agitação e euforia. Logo mais, vem a depressão, perda de apetite e do peso, desnutrição, insônia, tosse, problemas cardíacos e sentimento de perseguição.

Anteriormente a preocupação das famílias era com os filhos adolescentes que em busca de novas sensações e experiências usavam todo tipo de droga. Da maconha, cola de sapateiro, tinner, bebidas alcoólicas até a mais atual e devastadora droga que veio da Bolívia: óxi.

 O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene – ou gasolina, diesel e até solução de bateria, cal e permanganato de potássio. É uma pedra, só que branca e é fumada num cachimbo. A diferença é que é mais barata e mata mais rápido.

O que era problema somente dos jovens passou a ser de adultos, como o caso do Casagrande, que aos 39 anos de idade na tentativa de preencher o vazio de sua vida, acabou por enveredar pelo pior caminho. O caminho das drogas que inevitavelmente leva qualquer pessoa para o abismo. E de quebra, leva também os familiares que muitas das vezes, desesperados com o fundo do poço que o usuário acaba chegando; costumam desejar a morte do ente querido. Homem de fama, ex-jogador de futebol da seleção brasileira, com situação financeira bacana, carros importados, pai de três filhos teve que ser internado sem a própria permissão para não causar mais danos à sociedade e à própria família.

O que faz o Brasil inteiro perguntar: – o que leva alguém adulto, supostamente estruturado na vida a consumir drogas?

Recentemente em nossa região fomos surpreendidos pela morte de um amigo. Também um homem adulto, empresário, de família rica, querido na sociedade local, com filho adolescente fora internado duas vezes em clínica especializada. Não suportou a pressão e acabou por se matar na própria casa. Foi um choque encontrá-lo morto. Onde, nós os amigos, erramos? Por que não fomos sensíveis o bastante para perceber tamanha aflição e desespero?

Este é um grave problema da saúde pública que gasta milhões com clínicas de recuperação, com acidentes e todo tipo de transtorno que um usuário de drogas causa à sociedade. O Ministério da Saúde tem apostado em maiores investimentos financeiros, em educação como forma de alerta e em novos modelos de CAPs.

Mas é pouco. É preciso políticas públicas mais rigorosas impedindo a entrada da droga no País, leis mais rígidas para o traficante, acesso às ajudas psicológicas ou psiquiátricas com mais facilidade e muitas outras ações. Sobretudo, é preciso boa vontade.

Este é também um problema de todos nós. De uma sociedade como um todo. Então, façamos a nossa parte. Seja denunciando, seja exigindo mais dos políticos, seja cuidando mais dos nossos filhos. Seja como for. O que não podemos é nos calar e passivamente deixar a droga rolar por aí e assistir de braços cruzados o suicídio de um amigo.

(Matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, julho/2011)

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