agosto 1st, 2014

Crime Hediondo
Bem que nossos juristas deveriam enquadrar como crime hediondo acidentes como a queda do Viaduto dos Guararapes, na Av Pedro I, na Pampulha. Sei que não é tão simples assim. Mas deveria. Na verdade não foi um acidente. Foi de uma irresponsabilidade total, um atentado contra a vida de muitos a ponto de se assemelhar aos atentados da Faixa de Gaza, dada a devida proporção, claro.
Vidas se perderam e não foi somente com as mortes que ocorreram naquele momento. O fato de possivelmente 180 famílias terem que se mudar, sem certeza de nada, já pode ser considerado como vidas perdidas. Quando voltarem, e se voltarem, acharão seus bens intactos? O governo ou a Construtora ou seja lá quem foi o responsável (aliás, melhor dizer os irresponsáveis) arcarão com esta responsabilidade? Por quanto tempo os apartamentos poderão ser considerados como lugares seguros? Pois se ninguém sabe informar quando ocorrerá a demolição da segunda alça do Viaduto, imaginem se poderão informar prazo para conclusão da obra… E por aí vai. Muitas perguntas sem respostas, muito medo, muita injustiça.
Para este tipo de crime hediondo deveriam se reunir o CREA, a OAB, Ministério Público, Associações de Moradores, representantes religiosos, sociedade civil; enfim, um batalhão de entidades que no mínimo exercessem pressão e fizessem que a lei fosse aplicada. Não questiono sequer sobre colocar os responsáveis na cadeia e não aceitar fiança alguma. Posso até estar sendo ingênua e prepotente já que não sou advogada e não entendo de leis. Mas entendo o que é ter solidariedade, justiça, responsabilidade e humanidade. Principalmente, o que é sacrifício para se adquirir um imóvel, para vir um engraçadinho e acabar com os sonhos das pessoas, brincar com a vida de uma região inteira e continuar impune. Estas ocorrências mancham o nome do CREA. Faz com que, juntamente com as faculdades de engenharia, este Conselho Profissional caia no descrédito da população.
Vejam o que virou a região da Pampulha. Acabaram com ela. Não tem mais a graça de antes. O prazer de se passar pelo Parque Lagoa do Nado e pela orla da Lagoa da Pampulha, tão cedo não teremos este deleite. Se havia ou não fiscalização da Prefeitura é a pergunta que não quer se calar.
Além dos moradores locais, das escolas e comércio que estão no prejuízo financeiro e emocional, há de se pensar também nos milhares de carros que utilizam aquela rota todos os dia para trabalhar ou para viajar ou para estudar ou até mesmo para se chegar aos hospitais. De Vespasiano à Lagoa da Pampulha se gastava em média 20 minutos. Hoje, se o trajeto durar uma hora e meia já é uma sorte grande. E para estes não darão providência nenhuma?
Por quantos meses mais continuarão dando volta pelas Av. Vilarinho, pela 12 de Outubro ou pela Cristiano Machado? Saibam que todas viraram um inferno!! A mídia não mostra, mas paralelo à Av. Pedro I, na Av. Alvares Camargo, onde o tráfego foi desviado e por onde terminava uma das alças, agora mais se parece com um campo de guerra. Uma sensação horrível para quem passa ali. Sem falar do congestionamento, excesso de ônibus e sinalização precária.
Sensação pior para os que convivem diariamente com a tragédia e com a certeza da impunidade que impera em nosso País.
Justiça já! Reconstrução imediata das obras, conclusão urgente das mesmas e devolução da dignidade às pessoas do local. É o mínimo que podemos esperar e exigir mesmo que não estejamos envolvidos diretamente. O certo é que não podemos ser coniventes com esta atrocidade.

VAnessa Arruda

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