julho 10th, 2011

Dizendo Adeus

Amenizando uma dor que não tem tamanho

        Para você que perdeu alguém muito amado saiba que o luto é como uma ferida: o sangue escorre e olhamos horrorizados para ela sem entender de imediato como aquilo aconteceu. E ficamos questionando por que nos ferimos, se  irá cicatrizar e quando será isso.

        Para curá-la, temos de cuidar dela. Descobrir o que fazer para melhor facilitar a sua cura. Se tivermos ajuda adequada a dor passará mais rapidamente e a cicatrização se fará melhor.     

No final do processo, nossa pele não ficará como antes. Restará uma marca – a cicatriz – que poderá ser maior ou menor, de melhor ou pior qualidade, indolor ou ainda dolorosa, tudo dependendo do tratamento que lhe dermos, dos cuidados que tomarmos.

        Ao entrarmos num processo de luto, a primeira coisa que devermos fazer é sermos compassivos conosco mesmo. Nós somos ou deveríamos ser o nosso melhor amigo. Tomando todos os cuidados necessários, mas sem pretender que a ferida cure-se num segundo. Ela demanda tempo para se curar totalmente.

  … A vida continua. Por mais que pensemos o contrário, ninguém, absolutamente ninguém, é insubstituível nessa vida.

       Algumas pessoas costumam dizer “Eu não posso morrer agora. Tenho de criar meus filhos”! Ora, quem garante que se ela morrer, outras pessoas não darão melhor futuro para seus filhos?

        Nós não somos insubstituíveis para os outros nem os outros para nós. Mas somos insubstituíveis para nós mesmos! Tomar consciência dessa realidade nos ajuda a lidar melhor com a morte.

      … Não devemos ter a apego a nada neste mundo. O apego é a maior causa dos sofrimentos humanos. Por nos julgarmos “donos” das pessoas é que sofremos tanto quanto as perdemos. Elas não são propriedades nossa! Amar não é ser dono! Quem se julga dono, vira posse!

         Por nos julgarmos donos de cargos, de posições, de bens e de títulos, é que sofremos com medo da morte. Ela não respeita nossos cargos nem títulos, muito menos nossas posses. E nos leva para longe de tudo isso, deixando os cargos, bens e títulos para os outros!

    Ser desapegado é amar verdadeiramente a vida, as pessoas e tudo que é colocado em nossas mãos.

  É respeitar a liberdade das pessoas, no seu direito de ir e vir como quiserem.

         Ser desapegado é ter a humildade de dar, tanto quanto de receber.

    Aceitar a ajuda dos outros e ajudar-se a si mesmo. É ter amor por si próprio, sem ser vaidosamente auto-suficiente. Pois ninguém basta a si próprio.
         Se estiver vivendo um luto, não se puna. Ninguém é culpado pela impermanência das pessoas. Tudo nesse mundo, regido pelo espaço e pelo tempo, é impermanente. Até a nossa dor é impermanente. Ela acaba, se abranda. É uma questão de tempo.

     A morte é parte integrante da vida. Desde o momento em que fomos gerados no ventre materno, começamos a viver tanto quanto começamos a morrer.

        Todos os dias morremos e renascemos. Nunca levantamos numa manhã, sendo a mesma pessoa de ontem. O “eu” de ontem morreu. Hoje sou um novo “eu”. Como posso ficar apegado ao “eu” que já morreu?

   Tenhamos sempre a consciência de que o importante não é o que a vida faz comigo, mas o que eu faço com minha vida, e sobretudo, o que eu faço com o que a vida me oferece!

Fonte: Dizendo Adeus- Como viver o luto, para superá-lo. Evaldo A D’Assumpção. Editora Fumarc- 8ª Edição.

Vanessa Arruda      www.vanessaarruda.com.br

Outubro/2011

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