agosto 28th, 2013

NOVELAS

Lições possíveis de serem aprendidas e aplicadas

A novela das 8 horas, Duas Caras, aborda em uma das suas tramas algo que vai além da dança do queijo, traições, desmandos, preconceitos, tráficos, dependência química e racismo.

Trata-se da mãe Setembrina e seus filhos. Ela é dona de um terreiro de umbanda, amiga e conselheira da comunidade onde vive. Respeitadíssima por todos, inclusive pelos seus filhos. Tem uma linda filha que vem sendo preparada para substituí-la nas funções umbandistas. Um filho talentoso, de cor branca, embora alcoólatra, autor de músicas e sambas de roda. Já, Ezequiel, o terceiro filho, negro como a mãe, é evangélico, diverge dos princípios maternos, pois optou por outra religião. Contudo, o que se vê é o filho com a Bíblia debaixo do braço buscando os conselhos da sua genitora, admitindo que a experiência fala mais alto (não mais que a palavra divina, é claro). Carinhosamente chamada de mãe Bina, ela, dentro do seu papel, recebe o filho com o maior de todos os amores do mundo, o amor maternal. Escuta, aconselha, apóia e o abençoa. Uma convivência harmoniosa de dar inveja.

É nesta pequena trama que o autor da novela sabidamente tenta ensinar que, para uma boa convivência, não é preciso a qualquer pessoa impor sua religião a terceiros. É possível, ainda nos dias de hoje, seguir os ensinamentos divinos: “Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas” e “Honrar pai e mãe”.

Ora, desde que o mundo é mundo, temos notícias de guerras desencadeadas em nome de religiões. “Guerras famosas” como foram as Cruzadas. Guerras recentes denominadas de “santas” como na Irlanda do Norte (entre católicos e protestantes), na Índia (entre muçulmanos e hindus). Iraque, Afeganistão, Líbano e vários outros países que estão em guerras, justificando-as em nome do que consideram “a melhor religião”.

Conflitos existem bem perto de nós e muitas vezes não damos conta de sua existência. Impaciência ou intolerância com o vizinho ou com o colega de trabalho são exemplos a nos mostrar que ainda não aprendemos a lição do “Amai-vos uns aos outros” independentemente da escolha religiosa.

Num dos capítulos, a sábia mulher veio a falecer. Por meio desta personagem o autor reforça algumas lições. Basta usarmos os olhos do coração para enxergá-las. Pode-se conviver com as diferenças e ter respeito pelo outro. É prudente ouvir os pais. É salutar seguir os códigos de Deus. É possível construir um mundo melhor para vivermos em harmonia.

Vanessa Arruda

Jornalista, Administradora do Laboratório São Lucas, pós-graduada em Marketing Político, Docente da Faculdade de Políticas Públicas Tancredo Neves/UEMG e membro da Academia de Letras de Vespasiano.

duguet@bol.com.br

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