agosto 16th, 2010

Vanessa Duguet Arruda

 

         Bem próximos da eleição para presidente da República, senadores, governadores e deputados a pergunta que fazemos é: – que tipo de político nós, brasileiros, queremos e merecemos?

         A reflexão é bem apropriada e necessária para que no dia 03 de outubro já saibamos escolher ou simplesmente não escolher por falta de opção.

         Depois de muitas décadas, quando o Brasil passou por mudanças devido à iniciativa popular (os Cara pintadas na era Collor em 1989, é uma delas) ainda nos surpreendemos com atitudes populares bem atuais e bem pertinentes.

A Lei dos Ficha-Limpa, por exemplo, é uma boa prova que o Brasil ainda tem jeito. Ou pelo menos tem pessoas com coragem suficiente para tentar mudar o estigma brasileiro de lugar corrupto, de ladrões, de safados e caras-de-pau. Com mais de um milhão de assinaturas o Congresso se viu obrigado a aprovar a Lei que coibisse a candidatura de políticos com a ficha suja. O mais bacana de tudo que a campanha da Ficha Limpa foi uma proposta de iniciativa popular,  lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos a cargos eletivos no Brasil. Significa que candidatos com débito com a justiça não poderão se candidatar nem mesmo neste ano de 2010.  Aqueles que cometeram lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito ficarão inelegíveis por oito anos.

         Num país com a fama que tudo termina em pizza nos espantamos quando percebemos que tem dado certo, ainda que alguns candidatos já impugnados tenham recorrido e ainda estejam em plena campanha eleitoral.

Outra ação popular digna de ser citada ocorreu em 07 de setembro quando uma manifestação estudantil em Brasília, quer queiram ou não, ajudou na impossibilidade do Roriz continuar como candidato no Distrito Federal. E ainda bem!

Um pensador francês, há séculos atrás, disse que cada povo tem o governo que merece. Mas nós não merecemos políticos que perderam a dignidade, a vergonha na cara, que se esqueceram do conceito de ética, que não fazem jus ao salário exorbitante, que trapaceiam com empreiteiras, que não cumprem o horário de trabalho, que são a favor da quebra de sigilo bancário ou da Receita Federal, que não usem a punição e a Lei para um Brasil melhor. Não. Nós não merecemos os Maluf da vida, os Roris, os Collors e muitos outros bem próximos de nós! O pior de tudo é ouvir do sr. Paulo Maluf que ele é o cara mais ficha limpa do país. E ainda por cima riem e caçoam descaradamente de nós.

Quanto aos candidatos de cidades pequenas, cujos locais trabalhamos e moramos é preciso saber se eles são dignos de nossos votos. Se eles são quem realmente merecemos. O TSE tem veiculado várias propagandas conscientizando o eleitor e ensinando como entrar nos sites e procurar saber sobre a vida política de cada um. No entanto, na maioria dos lugares e grande número de pessoas não têm acesso aos computadores e não sabem como obter estes conhecimentos. Por isto, fica aqui uma sugestão. Em cidades pequenas há informações se os políticos já governaram honestamente, se já trapacearam tomando lotes de outros, se apóiam criminosos e traficantes, se o discurso é compatível com o estilo de vida de cada um. Se no dia-a-dia deles há lugar para a ética, generosidade, cumprimento da palavra, tratamento humano com os empregados. Enfim, há várias formas de conhecermos os candidatos, ainda que não seja pessoalmente.

Não há desculpas para vendermos nosso voto, pois, com certeza, estaremos sim, sendo vendidos nos próximos anos. Precisamos ter a consciência que se não mudarmos nossas atitudes, então, é melhor votar no Tiririca não para Deputado Federal em São Paulo, mas para Presidente da República, pois “pior do que tá num pode ficá!”

 (Publicado no Jornal Tribuna das Gerais, em setembro/2010)

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1 Comentário para “O Político que queremos (e merecemos)”

www.vanessaarruda.com.br disse:

Cool. Greetings from the Speedy DNS.

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