fevereiro 8th, 2011

 

VAnessa Arruda 

                   Hoje, vemos tanta coisa ruim que passamos a banalizar as tragédias, acidentes, mortes, estupros, corrupções, ladroagem e todo tipo de violência. Só nos revoltamos quando somos afetados direta ou indiretamente por elas.

         Quando uma carreta biltrem com 37 toneladas passou por cima de 15 carros na tarde de 6ª. feira passada, no anel rodoviário em B.Horizonte, simplesmente ignorei detalhes do socorro feito por helicópteros e assim não imaginava o tamanho da tragédia. A televisão mostrava o acidente, pessoas mortas, carros irreconhecíveis e o desespero dos que estavam por perto. Optei pela indiferença. Era mais um caso que faria parte das estatísticas e da omissão do nosso governo.

         Contudo, ao saber que neste acidente uma das vitimas fatais era uma amiga de infância, doeu. Ver um pai carregar o caixão da filha de 44 anos, doeu muito mais. Ainda que doa enterrar pai e mãe; não é normal pais enterrarem filhos.    

         No velório ficamos a ruminar nossa dor e cogitar o que aconteceria com o motorista assassino. Provavelmente seria indiciado por homicídio culposo, pagaria fiança, sairia da cadeia e em liberdade cumpriria pena alternativa com cestas básicas ou trabalho para a comunidade. Foi, então, que deram uma sugestão: que tal se a pena aplicada aos condenados fosse um serviço no cemitério abrindo covas ou em um hospital onde dariam banho em tetraplégicos? De pertinho vendo o que causaram talvez bastasse para que as pessoas fossem mais responsáveis. Será?

         O que é preciso para consertar o Brasil? Punição. Ok, para quem? Para os governos que só decretam estado de emergência e nada mais fazem? São sempre as mesmas calamidades em todo o país. Chuvas na região serrana do Rio, São Paulo e Santa Catarina. Secas no Sul. Prédios desabando como o de 30 andares na região nobre de Belém no Pará e muitos outras. O pior é que continuarão acontecer até que políticas públicas sejam criadas para a segurança de todos. Até que as autoridades se conscientizem e exerçam seu real papel de aplicar leis severas aos infratores. Até que, nós, pessoas do povo, sejamos mais exigentes com os políticos e façamos cobranças. Punidade é preciso. E já!

Enquanto isto, ficamos a chorar pelos nossos mortos.

(matéria publicada no jornal Tribuna das Gerais, jan/2011 e no site www.xpromocoes.com)

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