maio 19th, 2010

 

Vanessa Duguet Arruda

 

Dia dos Pais chegando, muitas homenagens, muitas mensagens, muita propaganda e muito apelo comercial.

Mas que tal uma reflexão sobre as atitudes paternas? Certamente ela nos tornará melhores pais do que somos hoje.

 

A importância da atitude dos pais

Das experiências que tenham em casa depende, em boa parte, que os filhos cheguem a ser pessoas sociáveis e capacitadas para a autêntica vida de amizade. Mas a família influi, sobretudo, através das atitudes dos pais.

Vejamos em primeiro lugar, algumas atitudes paternas que não favorecem as atitudes sociais e amistosas dos filhos:

Pais que não sabem nada dos filhos e mal lhes dedicam tempo. O pouco tempo de convivência com os filhos deve-se, às vezes, a ausências prolongadas e freqüentes do lar, de um dos pais ou de ambos. Em conseqüência, os filhos não vêem a casa como um lar, mas como uma simples residência, um hotel.

Pais dominadores, possessivos, autoritários, excessivamente severos e exigentes. Essas atitudes contribuem nuns casos para tornar os filhos irascíveis, impulsivos e agressivos e em outros para desenvolver neles uma personalidade insegura e instável. Todas estas características lhes trazem sérias dificuldades para a adaptação aos grupos de brincadeiras e de estudo e à vida de amizade.

Pais super protetores que oferecem aos filhos mais ajuda do que eles precisam e tendem a resolver todos os problemas por eles. A criança super protegida torna-se excessivamente dependente dos outros, precisa da atenção, aprovação e ajuda quase contínuas de outras pessoas. Não desenvolve a capacidade de valer-se por si. Não sabe iniciar atividades próprias nem lutar por vencer as dificuldades que se lhes apresentam. Nessas condições a mentalidade egocêntrica própria da criança prolonga-se pela vida afora e não lhe permite contribuir com nada de valioso para os outros.

Pais permissivos, excessivamente indulgentes que mimam os filhos e os deixam agir em função dos caprichos de cada momento. Esta atitude leva os filhos a tornarem-se egoístas e fracos, a esperar dos outros uma atenção contínua e a não saber aceitar a frustração de um desejo, levando-os a reagir de forma impaciente e agressiva. Uma vez que toda a convivência exige dar  e não receber, essas crianças dificilmente se adaptam à vida em sociedade.

Pais frios ou indiferentes para com os filhos que não lhes dão mostras de carinho e afeto. Os filhos costumam agir, nas relações com os companheiros e amigos, com a mesma indiferença e frieza com que foram tratados em casa. Costumam ser crianças tristes, pouco cordiais, que fogem das situações de convivência. E quando tentam relacionar-se com os outros, encontram dificuldades porque lhes falta elemento central da amizade: o afeto.

O problema é maior quando a indiferença dos pais se converte em rejeição, que nem sempre é aberta: às vezes, expressa-se em atitudes de insensibilidade ou de prepotência. Essa rejeição diminui a auto-estima dos filhos, a segurança em si mesmos e pode dar lugar, mais adiante, à condutas anti-sociais que resultam da necessidade de “descarregar” a agressividade acumulada ou de chamar a atenção dos outros.

Quais atitudes paternas que, pelo contrário, favorecem a capacidade dos filhos para a convivência?

 

Uma primeira resposta é que todas que ajudem a serem harmônicas e satisfatórias às relações entre os esposos, entre pais e filhos e entre irmãos. Está mais que comprovado que, se as relações familiares são adequadas, os filhos conseguem adaptar-se muito mais facilmente à convivência social fora de casa.

Uma dessas atitudes é o amor aos filhos. E não basta o amor teórico ou abstrato. Os filhos precisam de expressões concretas desse amor dos pais todos os dias. Precisam de afeto e carinho no relacionamento pessoal. Os pais afetuosos e cálidos ajudam os filhos a terem confiança em si mesmos e a relacionarem com os outros de forma aberta e espontânea.

Mas o carinho com os filhos não deve significar falta de exigência. Precisamente por serem queridos é que devem ser exigidos de maneira progressiva. Com efeito, as crianças que não se sentem exigidas pelos pais consideram-se menos queridas, já que recebem menos atenção. O carinho aos filhos deve levar, isso sim, a uma exigência compreensiva, isto é, proporcionada ao que se pode pedir a cada filho em cada momento. É preciso, portanto, que os pais sejam ao mesmo tempo exigentes e compreensivos, o que, evidentemente, não é fácil. Na prática, diante dessa dificuldade, os pais costumam polarizar-se numa dessas atitudes, de forma que a compreensão sem exigência cria pais permissivos e a exigência sem compreensão cria pais autoritários.

Diversas pesquisas confirmam as afirmações que acabamos de fazer. Assim, por exemplo, Lieberman verificou que as crianças pequenas que se sentiam queridas pela mãe eram bem aceitas pelos companheiros comuns no colégio. Winder e Rau descobriram que os pais das crianças mais “sociáveis” tinham duas qualidades: eram muito pouco agressivos e proporcionavam-lhes muito apoio e reforço na sua conduta (“reforço” no sentido de que valorizavam e premiavam os comportamentos positivos dos filhos).

Os pais devem estabelecer uma relação ardentemente afetuosa com cada um dos filhos e fazê-los ver que todos eles são importantes na vida da família. Comprovou-se que a criança aceita pelos pais é geralmente cooperativa, sociável, amigável, leal, emocionalmente estável, simpática e que “encara a vida com confiança.”

Há diferentes tipos de aceitação dos filhos por parte dos pais em função do amadurecimento emocional destes. Pais emocionalmente maduros aceitam o filho como um ser autônomo e capaz de participar ativamente da vida familiar, ao passo que pais emocionalmente imaturos tendem a identificar-se totalmente com o filho, dificultando seriamente a conduta independente tanto deste como deles mesmos. É importante que os pais concedam a cada filho uma liberdade razoável, proporcionada à sua idade. Quando se estimula a conduta autônoma dos filhos, estes acabam se tornando mais habilidosos, cooperativos, independentes e adaptados às situações sociais.

Frisarei, por fim, que é importante fomentar desde a infância a vinda de outras crianças ao lar, sejam irmãos naturais ou adotivos. Verificou-se que isso contribui para que os filhos amadureçam antes e sejam mais abertos aos outros.

Fonte: Livro Educar para a Amizade de Gerardo Castilho

(matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, agosto/2008)

 

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