julho 9th, 2013

Pátria amada, Brasil!
Sempre tive inveja do povo americano. Inveja do amor que ele sempre demonstrou pela sua pátria. Do orgulho em mostrar esse sentimento de todas as formas. A bandeira nacional em todas as casas, broches da bandeira nos ternos dos executivos, biquínis com desenhos e cores da bandeira americana desfilando pelas praias. As próprias bandeiras envoltas nos corpos deste povo tão devotado pelo seu país. Enfim, uma declaração de amor explícita.
Poxa, e por que não amar o Brasil? Por que nossa Pátria anda tão desprezada pelos seus?
E eis que surgem manifestações de tudo quanto é lado. Era tanta gente, mas tanta gente que surpreendeu a todos, dos governantes aos empresários. A insatisfação com os políticos, com a inflação, com a roubalheira estava contida e guardada em cada brasileiro. As reclamações, quando havia, no máximo ficavam restritas em reuniões familiares ou de amigos.
Sem imaginar a proporção que tomaria as redes sociais tiveram um papel fundamental nestas manifestações. Um comentou, o outro sugeriu e pronto “tava” feito o convite. Assim foram passando para os amigos e se multiplicou de tal forma que as avenidas ficaram apinhadas de gente com a cara do Brasil, com a Bandeira Nacional enrolada no próprio corpo e o grito por um país mais justo.
O melhor de tudo é que muita gente se solidarizou com as reivindicações. A população reconheceu que passou da hora de sair às ruas. Assim, quando os estudantes deram o grito por passagens mais baratas, moradia digna, salário justo, emprego, segurança, saúde, educação de qualidade e políticos honestos; receberam o apoio de todos. Foi um sentimento unânime. Até que vândalos pegaram carona nas manifestações e foram destruindo tudo pela frente: lojas, carros, ônibus. Um caos. Um cenário de guerra. Quiseram destruir até a legitimidade de um movimento sério, que mais tarde foi reconhecido pela polícia e pelas autoridades. Conseguiram separar o “joio do trigo.”
Por outro lado, os manifestantes precisam entender que ao usarem do direito de manifestar de forma impositiva, consequentemente estarão ferindo o direito de ir e vir da população. Ruas foram fechadas, o trânsito foi ficando um inferno, o medo de ser agredido foi tomando conta de todos. Muitos foram prejudicados e roubados. E desta forma, ao darem prejuízos para as lojas ou ao causarem pânico, com certeza, perderão o apoio e a simpatia de muitos segmentos.
É preciso entender que manifestações também devem ser democráticas. As ações e protestos devem ser mais civilizados. Com isto ganha o povo com os benefícios reivindicados; ganham os manifestantes com o apoio de todos; ganha a sociedade que vai se amadurecendo… Só não ganham os políticos que perdem a popularidade.
Mas, valeu à pena?
Certa vez alguém falou que o “Brasil estava grávido do Brasil.” A partir do momento que mais de um milhão de pessoas foram às ruas protestar contra corrupção e impunidade, a gravidez chegou ao fim. Nasceu um novo povo que exige governantes mais sérios e um novo País! Uma revolução e tanto. Não dá mais pra voltar atrás. As respostas vieram rapidamente. Foi o fim da PEC 37 (para impedir o Ministério Público de fazer investigações). Corrupção virou crime hediondo. O valor das passagens abaixou. Há um discurso de melhoria da saúde e contratação de novos médicos. Que os royalties (recursos que vem da exploração do petróleo) sejam realmente direcionados para saúde e educação como propôs a nossa Presidente. Tomara à Deus que não seja só no discurso, como é de costume.
Mas o que surpreendeu mesmo foi ver torcida e jogadores cantando o Hino Nacional nos jogos da Copa das Confederações. Foi de arrepiar. Povo cantando, olhos fechados, lágrimas escorrendo, mãos no peito e o Hino sendo cantando até o fim. O povo sabia a letra toda!
Que bom, já não preciso invejar o povo americano, pois nas ruas ou nos estádios, também sabemos demostrar nosso amor pela Pátria amada, Brasil!
Vanessa Arruda www.vanessaarruda.com.br
Administradora do Laboratório São Lucas, Jornalista, Pós Graduada em Marketing Político, Mestranda em Administração e Professora Universitária.

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