abril 12th, 2012

Uma volta pelo parque
(VAnessa Arruda)

De ônibus, de carro ou a pé avista-se da Av.

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Pedro I, uma enorme placa indicando “Parque Lagoa do Nado”. Vista desta forma não dá pra imaginar um parque agradável, com aves mansinhas e árvores centenárias, enormes, senhoras de si e do lugar, que guardam histórias e as revelam pelos seus grandes troncos e folhas.

O Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado é uma representação viva do trabalho de uma comunidade. Uma área de 300.000 m2 com mata e fauna significantes, quase se transformou num conjunto habitacional. Gilson Martins Almeida, 37, residente no bairro São João Batista, assíduo freqüentador do parque, fala um pouco há história que conhece. “Segundo comentários das pessoas mais antigas aqui era uma fazenda. Nela morava um casal com uma filha que se afogou na lagoa. Desgostosos, os pais abandonaram o lugar, que por pouco se transformou em conjunto habitacional. Os moradores da região se mobilizaram, abraçaram a lagoa até conseguirem o tombamento do lugar. Assim, nasceu esta área de lazer.”

A informação é complementada por Abilde Maria da Silva Carneiro, 44, diretora do Centro Cultural “este terreno era da família Gianetti e forma com que as crianças utilizavam o lugar era muito próprio delas. Pulavam a cerca, pegavam frutas, nadavam na lagoa. Todos tinham uma relação e sentimento muito próximos e muito ligados com o lugar. Na década de 70 o governo do Estado queria desapropriara área para implantar um conjunto residencial. Foi quando a população, num primeiro momento, mobilizou-se para impedir o ato. Foi um movimento que durou uns três anos e teve uma participação muito grande de outros segmentos e de outras localidades também.”
Em 23 de dezembro de 1988, através do decreto 6.199, a área foi considerada de utilidade pública para transformação em parque ou outro fim de interesse público. O Parque Lagoa do Nado, como é conhecido, é muito freqüentado pelos amantes da natureza, do esporte e da cultura. Pioneiro entre os centros regionais, ele é um apoio às iniciativas culturais da região norte e estimula a população a participar das atividades esportivas e culturais. Há quinze anos jogando futebol todo final de semana, Márcio Pereira Paulo, 27, morador do bairro Itapoã fala sobre o espaço, que é aberto para todas as idades e classes sociais. “Aqui não precisa fazer reserva de quadras. A Lagoa do Nado está aberta e todos tem o direito de chegar e jogar. É claro que existem grupos que combinam mais, no entanto, todos podem se entrosar.”

Dona Edna Durval Vieira, 65, aposentada, caminha todos os dias pelo local. A parte central é ocupada pela lagoa e ao seu redor as pistas estão sempre limpas. É um convite para as caminhadas. Moradora do bairro Planalto, há um ano, ela assegura que é um local tranqüilo e sem histórias de violência.
Mas não é só esporte que o Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado oferece à comunidade. Além das quadras de futebol society, futebol oficial, de peteca, vôlei, pista de cooper e parquinhos infantis, há opção para biblioteca, teatro de arena, sala de vídeo, sala de estar e lazer. A biblioteca recebe visita de pessoas oriundas de todos os bairros de Belo Horizonte. As alunas de pedagogia da UEMG (U niversidade Estadual de Minas Gerais) residentes no bairro Santo André, aproveitaram o única biblioteca pública que abriu neste feriado. A pelo grupo de cinco alunas.

Lazer com cultura
Os cursos e oficinas oferecidos são também um atrativo a mais. Entre eles, Yoga, teatro, debates, filmes e rodas de capoeira.
Brincando com Mestre Orlando é uma oficina que busca o resgate de brinquedos e brincadeiras dos tempos éantigos, como finca, patinete, rouba-bandeiras, boca-de-forno, rio vermelho. Aprende-se, ainda, a colecionar brinquedos, como carrinhos de carretel. Tudo pelas mãos do Mestre Orlando. Quem confirma a importância destas atividades é a estudante de Psicologia, Caroline Sena, 20, com um filho de um ano e quatro meses: “ venho aqui desde que era pequenininha, pois sempre morei no Bairro Itapoã. Hoje, trago meu filho que adora o lugar. Aqui se respira o verde e ele tem a liberdade de brincar de bola e velotrol. Já participei de muitas atividades oferecidas pelo parque, como o escotismo. Simplesmente maravilhoso.”
Como atividade permanente, todo último sábado do mês, temos o sarau de poesias. É o encontro entre a sensibilidade e a linguagem através da poesia e seus poetas, como afirma dona Sônia, 62, Costureira, poetisa, que declamou um poema de sua autoria. “Participo ativamente das atividades oferecidas pelo parque, inclusive das oficinas. Tem a dança do ventre para a terceira idade, oficina de técnica vocal, dança de salão, de música cênica. Uma vez por mês temos a conversa ao pé do fogão. Assamos pães, biscoitinhos, fazemos café, chá e trocamos ideias.”
Ao responder o que o Centro Cultural do Parque Lagoa do Nado representa para ela, os olhinhos verdes, cheios de amor se voltaram em direção ao Parque, quase dispensando as palavras: “olha, a Lagoa do Nado representa o meu jardim… é só atravessar a rua. É um lugar muito, muito abençoado.”
Da janela de sua sala, além dos vasos de flores que ela cultiva, dá pra ver e sentir a imensidão do lugar. Dá pra entender esta relação de amor existente entre os moradores e o local conquistado. Dona Sônia reside há 25 anos no bairro Itapoã e quando chegou de Juiz de Fora, encontr a ou um lugar cheio de capim colonião: “era mais alto do que eu e éramos obrigados a fazer queimadas. Aqui era uma fazenda que pertenceu ao Américo Renê Gianetti, que foi um dos Prefeitos de Belo Horizonte. A minha casa está onde ficavam os pastos desta fazenda.”
A Biblioteca também é muito visitada por esta moradora: “ah, eu vou confessar uma coisa… não consigo ver Carlos Drumond de Andrade como o poeta maior que todos proclamam. O meu poeta maior é o Vinicius de Morais! Alegre, com muita experiência de vida e mostrando uma disposição fora do comum, a poetisa pede para que o povo se conscientize que qualquer espaço público é para ser preservado. Não destruí-lo é manter um espaço para sempre. Ressalta, ainda que, na ocasião em que os moradores deram as mãos num abraço simbólico na Lagoa, o povo era muito mais politizado e conscientizado: “Hoje não. O povo destrói tudo, levam pedaços do lugar.”
Para participar das atividades oferecidas é melhor fazer as inscrições com antecedência, pois há limite de vagas e a procura é intensa.
De fácil acesso, este paraíso deve ser visitado. Lá somos surpreendidos com um oásis no meio do Bairro Itapoã, além das mais raras espécies de árvores, insetos, aves e animais. Patos e marrecos mansos convivem com crianças e adultos que por lá passeiam. Canteiros de plantas medicinais. Casinhas de pássaros. Tranquilidade, sossego, aprendizado, integração, educação e cultura. Coisas raras de se ver em grandes metrópoles e bem pertinho da gente.
O Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado fica à Rua Hermenegildo Barros, 904- Itapuã, e, como símbolo da “união faz a força” é um referencial para os habitantes da região norte de Belo Horizonte, que fazem questão de aproveitar ao máximo o que eles têm em mãos.

Poema Lagoa do Nado
(Sônia Maria Stheling Luz Pinto, em 2001)

Nos teus caminhos, com passos tranqüilos
Debaixo de árvores seculares, estou a passar
Nos galhos- pássaros e miquinhos espertos,
Nas águas serenas- os patos a nadar!

Olho… é um sonho da mãe natureza!
Que neste espaço está a multiplicar
Existindo em tudo uma grande beleza,
Que devemos lutar para preservar!

Queria o “homem”, um dia… faz tempo!
Todo este espaço destruir!
Construir árvores de concreto e aço
Para nelas o ser humano dormir!

Lutamos com todas as armas que tivemos
Para o projeto destruir!
E, agora, por muitos e muitos anos, graças à Deus
A Lagoa do Nado irá existir!

Sendo um espaço abençoado que temos
Na selva de aço da cidade que cresce
Nós queremos neste lugar verdejante
As nossas forças refazer.

E dizer a ti, Lagoa do Nado, nesta hora
O quanto gostamos de você!!!

(Matéria publicada na Revista Múltipla, agosto de 2003)

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