julho 28th, 2013

Viver em condomínios e apartamentos

- Uma questão de educação -

Frequentemente pessoas reclamam do comportamento de seus vizinhos. Na maioria das vezes as reclamações partem de pessoas que moram em prédios e apartamentos e convivem com outras pessoas que desconhecem as regras do viver em grupos.

Reclamações de barulho de sapato, aquele famoso “toc-toc” principalmente nas altas horas da noite, batem recordes. Até apelidos estas dondocas de salto alto já ganharam: tamanquinho! A dona Tamanquinho do andar de cima costuma chegar em torno das duas horas da manhã. Pelo som dos tamancos todos do prédio já sabem dos seus hábitos. Primeiro vai ao banheiro. Depois dá a volta pela cama (em cima do seu salto alto) e chega à cozinha. Não se sabe o que mais incomoda se é o salto ou se o barulho das panelas. E aquele grito estridente (da cozinha para o banheiro onde o marido toma banho e ainda cantarola alguma música):

- Bem êêê, você vai querer um ovo frito?

Em seguida, após as peripécias culinárias a dona Tamanquinho vai tomar banho, vai dar uma arrumada na casa… tudo isto sem descer do salto, literalmente falando! O pior é que já fizemos reuniões para sensibilizá-la, já colocamos o problema amistosamente e dona Tamanquinho, de forma pirracenta, insiste em incomodar. Este comentário partiu de uma moradora do bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte,  que não quis se identificar.

Há outro campeão de reclamações. Cachorros e gatos! Pois sim! Estes pobres bichinhos também perturbam os vizinhos com barulho das patinhas, o cheiro característico, latidos e os cocôs que fazem pelo condomínio.

Crianças… Ah, as crianças! Limitadas pelo espaço brincam por entre os carros, pisam nos jardins, sujam paredes, quebram vidros e arrancam plantas dos vasos. Quem não tem filhos encontra mais dificuldades para lidar com este problema. Por outro lado, independentemente de ter filhos ou não, há sempre violação de direitos, prejuízos e em algumas situações, até brigas.

Cigarros também não estão fora da listinha de perturbações. São atirados pelo hall dos prédios sem a menor cerimônia. Outro problema na convivência diária é o consumo excessivo de água. Alguns moradores lavam seus carros e tapetes sem se preocuparem com os gastos ou com o apelo que todos fazem em relação ao meio-ambiente e no consumo consciente da água.

No Conjunto Caieiras dona Geralda relata que no seu prédio ainda há problemas com o portão que nunca fica fechado. Embora nas reuniões de condomínio os moradores sejam orientados quanto à segurança de todos, há aqueles que ainda brincam com a sorte e teimam em deixar a portaria escancarada.

Som em alto volume, pagamento atrasado da taxa de condomínio, as chegadas festivas das madrugadas, vasos sobre os muros das sacadas, festinhas que vão além do horário e muitas outras condutas não condizentes com o tipo de convivência escolhido geram sempre insatisfações entre os moradores. Muitas das vezes, inimizades e visitas às delegacias de polícia.

Para alguns síndicos a boa convivência é possível, sim. Basta cada um se colocar no lugar do outro e seguir o ditado que diz “não faça com os outros o que não quer que façam contigo”. No entanto, para problemas que não são solucionados amigavelmente existem os recursos jurídicos. Embora tragam desgastes emocional e financeiro é a única forma de conscientizar alguns cidadãos que ninguém tem o direito de perturbar o outro.

O fato é que viver em condomínios de prédios e apartamentos é uma arte e independente do estilo de vida ou da classe social todos sempre têm alguma coisa a reclamar. O que se percebe é que os “perturbadores” da ordem não nasceram para morar em conjunto e sequer têm a disposição de se tornarem educados. Sequer, entenderam, ainda, que para uma convivência harmoniosa é preciso muito mais que boa vontade. É preciso educação. E educação vem de berço.

(matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, junho 2008)

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