maio 20th, 2010

Vanessa Duguet Arruda

 

Viver em condomínios e apartamentos

- Uma questão de educação -

         Frequentemente pessoas reclamam do comportamento de seus vizinhos. Na maioria das vezes as reclamações partem de pessoas que moram em prédios e apartamentos e convivem com outras pessoas que desconhecem as regras do viver em grupos.

         Reclamações de barulho de sapato, aquele famoso “toc-toc” principalmente nas altas horas da noite, batem recordes. Até apelidos estas dondocas de salto alto já ganharam: tamanquinho! A dona Tamanquinho do andar de cima costuma chegar em torno das duas horas da manhã. Pelo som dos tamancos todos do prédio já sabem dos seus hábitos. Primeiro vai ao banheiro. Depois dá a volta pela cama (em cima do seu salto alto) e chega à cozinha. Não se sabe o que mais incomoda se é o salto ou se o barulho das panelas. E aquele grito estridente (da cozinha para o banheiro onde o marido toma banho e ainda cantarola alguma música):

- Bem êêê, você vai querer um ovo frito?

Em seguida, após as peripécias culinárias a dona Tamanquinho vai tomar banho, vai dar uma arrumada na casa… tudo isto sem descer do salto, literalmente falando! O pior é que já fizemos reuniões para sensibilizá-la, já colocamos o problema amistosamente e dona Tamanquinho, de forma pirracenta, insiste em incomodar. Este comentário partiu de uma moradora do bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte,  que não quis se identificar.

         Há outro campeão de reclamações. Cachorros e gatos! Pois sim! Estes pobres bichinhos também perturbam os vizinhos com barulho das patinhas, o cheiro característico, latidos e os cocôs que fazem pelo condomínio.

         Crianças… Ah, as crianças! Limitadas pelo espaço brincam por entre os carros, pisam nos jardins, sujam paredes, quebram vidros e arrancam plantas dos vasos. Quem não tem filhos encontra mais dificuldades para lidar com este problema. Por outro lado, independentemente de ter filhos ou não, há sempre violação de direitos, prejuízos e em algumas situações, até brigas.

         Cigarros também não estão fora da listinha de perturbações. São atirados pelo hall dos prédios sem a menor cerimônia. Outro problema na convivência diária é o consumo excessivo de água. Alguns moradores lavam seus carros e tapetes sem se preocuparem com os gastos ou com o apelo que todos fazem em relação ao meio-ambiente e no consumo consciente da água.

         No Conjunto Caieiras dona Geralda relata que no seu prédio ainda há problemas com o portão que nunca fica fechado. Embora nas reuniões de condomínio os moradores sejam orientados quanto à segurança de todos, há aqueles que ainda brincam com a sorte e teimam em deixar a portaria escancarada.

         Som em alto volume, pagamento atrasado da taxa de condomínio, as chegadas festivas das madrugadas, vasos sobre os muros das sacadas, festinhas que vão além do horário e muitas outras condutas não condizentes com o tipo de convivência escolhido geram sempre insatisfações entre os moradores. Muitas das vezes, inimizades e visitas às delegacias de polícia.

         Para alguns síndicos a boa convivência é possível, sim. Basta cada um se colocar no lugar do outro e seguir o ditado que diz “não faça com os outros o que não quer que façam contigo”. No entanto, para problemas que não são solucionados amigavelmente existem os recursos jurídicos. Embora tragam desgastes emocional e financeiro é a única forma de conscientizar alguns cidadãos que ninguém tem o direito de perturbar o outro.

         O fato é que viver em condomínios de prédios e apartamentos é uma arte e independente do estilo de vida ou da classe social todos sempre têm alguma coisa a reclamar. O que se percebe é que os “perturbadores” da ordem não nasceram para morar em conjunto e sequer têm a disposição de se tornarem educados. Sequer, entenderam, ainda, que para uma convivência harmoniosa é preciso muito mais que boa vontade. É preciso educação. E educação vem de berço.

 (matéria publicada no Jornal Tribuna das Gerais, junho 2008)

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9 Comentários para “Viver em Condomínios, uma questão de educação”

Marília disse:

Vivo em apartamento e sei muito bem o que é conviver com mal educados. Excelente matéria. Parabéns!

vanessa disse:

Obrigada. Espero que a matéria também sensibilize outros moradoes de conjunto e condomínios.
Beijos

Ceci disse:

Realmente é muito difícil conviver, viver e lidar com as pessoas em condomínios. Parabéns pela matéria

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vanessa disse:

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Claudio Marcio Araujo da Gama disse:

Condomínio cria regra da ficha limpa para síndicos e causa controvérsia entre especialistas

RIO – Depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter aprovado, em junho de 2010, a Lei da Ficha Limpa, que derruba a candidatura de políticos com condenação na Justiça, o condomínio Presidente, em Curitiba, decidiu introduzir o mesmo conceito em seu regulamento interno. O documento determina que seja proibida a candidatura a síndico ou a membro do conselho fiscal de pessoas que já administraram o condomínio e tiveram suas contas reprovadas em assembleia, ou que saíram sem prestar contas. A norma foi aprovada por unanimidade em assembleia geral extraordinária.

O edifício tem 117 apartamentos residenciais e um conjunto comercial, com seis lojas térreas. De acordo com o atual síndico, Cláudio Márcio, o regulamento interno foi criado depois de uma advogada, ex-síndica e proprietária de 35 apartamentos, ter se candidatado a síndica nas eleições de 2010, mesmo tendo acumulado três ações na justiça por irregularidades na prestação de contas do condomínio Presidente.

- Já que a Justiça tem se mostrado tão lenta e muitos corruptos se aproveitam disso para varrer para debaixo do tapete as irregularidades na administração, o condomínio criou uma norma moralizadora que será válida independentemente de quem for o síndico – explica o atual síndico do condomínio, Cláudio Márcio Araújo da Gama.

Pessoas condenadas em primeira instância em ações judiciais por fraudar o condomínio também estão incluídas. Além do conceito da ficha limpa, o regulamento prevê normas de convivência e punições mais efetivas contra infratores, preservando à defesa destes, seja em assembleia ou junto ao poder judiciário.

http://oglobo.globo.com/economia/morarbem/mat/2011/02/21/condominio-cria-regra-da-ficha-limpa-para-sindicos-causa-controversia-entre-especialistas-923851323.asp

vanessa disse:

Olá, Cláudio! Boa idéia da ficha limpa para condomínios. Já que não podemos esperar muito de nossa justiça, faz-se necessário ações que coibam pessoas de caráter duvidosoe salafrários em pequenas “instâncias” como condomínios. Espero que esta ação sirva de exemplo para o país inteiro!
Obrigada pela informação!
VAnessa Arruda

Sheila Z Santana disse:

Bom dia , meu marido e eu acabamos de comprar um apartamento , e uma coisa que eu acho que vai sair briga , é com o numero de vagas para automóveis , no condomínio terá 240 famílias ,e são 20 vagas normais e mais 3 para deficientes ,o que fazer neste caso.
Desde já agradeço

vanessa disse:

Bom dia, Sheila!Primeiramente obrigada por ler minha matéria. No entanto, como não sou advogada, não tenho como ajudá-la no momento. Apenas sugiro que procure um profissional da área ou Procon para lhe dar o caminho certo a ser percorrido. um abraço

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