dezembro 18th, 2014 | Sem Comentários »

Vespasiano que amo
Quando aqui cheguei adotei Vespasiano como minha. Paixão à primeira vista e lá se vão 27 anos de carinho com o lugar.
Naquela época as mortes eram anunciadas pelos sinos da Igreja Matriz. Era um tal de ligar para a Casa Paroquial para saber quem havia morrido. Algo inusitado e bem diferente. O carro de som, hoje, veio substituir as badaladas do sino. Ele passa pela cidade avisando sobre os falecimentos, missa de 7º dia e os agradecimentos da família.
Ainda havia bailes de carnaval no Funil Clube e como era bom. As matinês eram melhores ainda. Consegui assistir aos últimos desfiles de carnaval, barracas na rua e a uma alegria infinita.
A estrada velha para Lagoa Santa deixou como saudade as hortas de verduras. Extensões verdes de alface e couve deixaram de existir.
A rodoviária ficava onde hoje é o nosso Palácio das Artes. Tempos em que durante o trajeto BH/Vespasiano a conversa corria solta nas lotações (ônibus) e amizades se faziam, assim como os causos eram bem interessantes de se ouvir.
Certa vez me contaram que no Boi da Manta, há mais ou menos 30 ou 40 anos atrás, Bicota assustava as crianças com as chifradas de boi verdadeiro. Ele fazia o seu boi não como atualmente que se desenha ou molda um boi. Mas com a cabeça do boi mesmo, com chifre e tudo. A chifrada era pra valer e por esta razão o medo da meninada.
Também me lembro dos jornais do Ubaldo. Palavras que mexiam com a cidade numa tentativa de sacudir o povo. Tinha também a loja do Sr, Jonhson, a padaria da Dona Inês, a farmácia do Seu Sílvio, as drogarias do Dr. Márcio, o salão da Maria.
Tempos bons em que não se passava chave nas portas, os carros ficavam abertos e era uma tranquilidade só.
Se conhecia todo mundo. Este é filho de fulano, aquele de sicrano. Talvez seja isto que mais sinto falta. De cumprimentar a todos, perguntar pela família, pelos filhos.
Por falar em família tenho saudades dos tempos que ia na casa de Dona Rosa Issa tomar o café da manhã, comer quibe, trocar um dedo de prosa. Ali as portas estavam sempre abertas mesmo. Quem quisesse podia entrar e tomar um gole. Todos eram bem acolhidos. Família muito gentil.
São estas coisas que fazem a gente ter um carinho especial pela cidade. O acolhimento e o carinho que são a marca do povo local fazem com que as pessoas de fora queiram fazer parte da história, como é o meu caso. Sinto-me muito orgulhosa em participar dos eventos locais, de trabalhar aqui, de fazer parte da Academia de Letras, de ter feito muitos amigos e de me sentir como uma cidadã vespasianense.
Parabéns, Vespasiano, pelo seu aniversário de 66 anos. Obrigada por me acolher, por me fazer sua filha. É uma grande honra!
Matéria publicada no jornal Vespasiano em Notícias, dez/2014

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